"Maré Vermelha". Cuidado!
- Jorge Lima
- 14 de abr. de 2015
- 2 min de leitura

O fenômeno da “Maré Vermelha” que tem assustado banhistas e turistas, mundo afora, é causado pelo desenvolvimento excessivo de microorganismos aquáticos. Os seres que ocasionam o fenômeno típico em tons vermelhos, marrons ou amarelos são os dinoflagelados. São protistas aquáticos unicelulares. Possuem pigmentos responsáveis pela sua coloração. A xantofila peridinina é um exemplo. Porém podem apresentar vários outros: azul celeste e azul escuro, verde, o beta-caroteno que é amarelo.
Então, a maré vermelha nem sempre é vermelha. A água pode ser amarela, verde ou marrom, isto dependerá unicamente dos pigmentos predominantes desses organismos. As concentrações de alcaloides tóxicos (substâncias produzidas pelos dinoflagelados) podem alcançar níveis muito altos e matar outros seres aquáticos. Essas toxinas podem atingir concentrações altas nos tecidos dos animais e, quando estes são ingeridos por humanos podem ocasionar envenenamento sério. Além dos sintomas gastrointestinais (diarréia, náuseas e vômito), pode haver também graves problemas respiratórios, fraqueza muscular e sensações cutâneas por um longo período.
O fenômeno que origina o crescimento desordenado desses seres é causado pelo excesso de matéria orgânica (rica em nutrientes) e/ou rarefação ou excesso de oxigênio dissolvido na água. A temperatura também influencia o fenômeno, além do pH do meio.

Tais situações atípicas promovem o desenvolvimento excessivo não somente de dinoflagelados, mas, também de diversas microalgas (organismos unicelulares com a capacidade de fotossíntese que crescem em águas doces ou salgadas). Esses afloramentos são chamados “bloms de algas”. As principais alga que causam o fenômeno são as vermelhas, marrons, verde e azuis.
As mais perigosas para a saúde de animais e do ser humano são as azuis (cianofíceas), que podem provocar enfermidades com o contato físico ou através de sua ingestão direta ou indireta (consumir animais contaminados). As cianotoxinas, encontradas em aproximadamente 40 espécies de algas, provocam danos neurológicos - alguns graves, podendo levar ao óbito -, ao fígado e à pele.
Próximo a áreas densamente povoadas, a maré vermelha ou o bloom de algas surgem quando muito esgoto não tratado é despejado no mar ou nos rios de uma região.

Um caso brasileiro analisado por cientistas ocorreu em Itaparica (Bahia). As mortes de 86 pessoas entre 200 intoxicadas que se seguiram entre março e abril de 1988 pelo consumo de água de um reservatório indicaram fortes evidências de contaminação por cianotoxinas.
A foto abaixo mostra um bloom de algas na Praia da Barra da Tijuca da cidade do Rio de Janeiro:
